O norte magnético nunca deixou de se movimentar. Nos últimos cem anos ou mais, a direção para a qual as nossas bússolas resolutamente apontam passou a ser mais para o norte, impulsionada pelo núcleo externo líquido da Terra a cerca de 2.896 quilômetros de profundidade. Recentemente, cientistas observaram algo incomum: A movimentação ganhou novo ritmo, agora em alta velocidade no hemisfério norte.

As alterações foram significativas e os cientistas focaram em atualizar, em caráter de emergência, o Modelo Magnético Mundial. Esse é o sistema que serve para navegação de celulares, navios, companhias aéreas e por aí vai.

Porém muitas perguntas ainda estão no ar: Por que o norte magnético está mudando tão rápido?

O que é o norte magnético?

O norte magnético é um dos três “pólos norte” do globo terrestre. Primeiro, há o verdadeiro norte, que é a extremidade ao norte do eixo em torno do qual gira o nosso planeta.

Mas a bolha magnética que protege o nosso planeta, ou a magnetosfera, não está perfeitamente alinhada com essa rotação. Em vez disso, o dínamo do centro da Terra cria um campo magnético que é discretamente inclinado em relação ao eixo rotacional da Terra. A extremidade norte dessa barra de ímã de proporções gigantescas é conhecida como norte geomagnético — um ponto ao lado da costa noroeste da Groenlândia, cuja posição foi pouco alterada ao longo do último século.

Também há o norte magnético, localizado pelas nossas bússolas, que é definido como o ponto para o qual as linhas do campo magnético que envolvem o planeta verticalmente apontam. Diferentemente do norte geomagnético, essa posição é mais suscetível à movimentação do ferro líquido presente no centro da Terra. Essas correntes puxam o campo magnético, fazendo com o que norte magnético se movimente bastante pelo globo.

O que é o Modelo Magnético Mundial?

James Clark Ross localizou o norte magnético pela primeira vez no ano de 1831, nas difusas ilhas do território Nunavut canadense. Desde então, o polo avançou de forma significativa para o norte, atravessando centenas de quilômetros nas últimas décadas.

Para acompanhar todas essas alterações, a Agência Norte-Americana de Administração dos Oceanos e da Atmosfera (NOAA) e a British Geological Survey (BGS) desenvolveram o que ficou conhecido como o Modelo Magnético Mundial, “para que todos pudessem ter o mesmo mapa, basicamente”, diz Ciaran Beggan, geofísico da BGS.

O modelo é atualizado a cada cinco anos, sendo que a última atualização havia ocorrido em 2015. Entre cada nova versão, os cientistas verificam a precisão do modelo com base em dados obtidos de observatórios magnéticos em terra e da missão Swarm da Agência Espacial Europeia.

Em meados da década de 1900, o polo norte magnético se movia menos de 11 quilômetros por ano. Mas na década de 1990, isso começou a mudar. O norte magnético começou a percorrer cerca de 54 quilômetros por ano.

Esse aumento parece ter coincidido com a existência de um jato mais intenso no núcleo externo líquido da Terra. Embora os eventos possam estar relacionados, não é possível afirmar com certeza.

No início de 2018, os cientistas perceberam que o modelo logo excederia os limites aceitáveis para a navegação magnética. Algo deveria ser feito antes da próxima atualização programada do modelo, prevista para 2020.

O que causou tudo isso?

O interesse nesses deslocamentos inesperados vai além da questão de mapeamento. A dança das linhas magnéticas da Terra representa uma das poucas oportunidades que os cientistas têm de analisar processos que ocorrem a milhares de quilômetros abaixo de nossos pés.

No encontro de outono da União Geofísica Norte-Americana de 2018,  Phil Livermore, geofísico da Universidade de Leeds, apresentou o que ele chama de “cabo de guerra” do campo magnético, que pode oferecer uma explicação para o estranho e recente comportamento. O polo norte magnético parece ser controlado por duas porções de campo magnético, explica ele, uma sob o norte do Canadá e outra sob a Sibéria. Historicamente, a porção sob o norte do Canadá parece ser mais forte, mantendo o polo magnético parado. Mas recentemente, isso parece ter mudado.

“A porção da Sibéria parece estar vencendo a batalha”, ele observa. “Ela está puxando o campo magnético para o seu lado do pólo geográfico”.

Isso pode ter sido causado por um jato de líquido no núcleo da Terra, que enfraqueceu o campo magnético sob o Canadá, afirma ele. O aumento da velocidade do jato parece ter coincidido com o fato de o polo magnético ter se movido mais para o norte durante as últimas décadas. Mas ele pede cautela para evitar conclusões definitivas antecipadamente.

O que acontecerá com o norte magnético agora?

A única coisa que podemos afirmar sobre o norte magnético é a sua imprevisibilidade.

Rochas abrigam mapas geológicos que exibem movimentos ainda mais estranhos dos polos magnéticos, sugerindo que nos últimos 20 milhões de anos, o norte e sul magnético trocaram de lugar diversas vezes. Isso parece acontecer a cada 200 mil ou 300 mil anos, mais ou menos. As causas exatas dessas inversões continuam incertas. Antes de 1900, seus deslocamentos eram mais intensos e podem ter incluído diversas curvas acentuadas no norte do Canadá, que poderiam ter forçado o polo a um breve período mais ao sul.

Portanto, é difícil dizer se a nova velocidade do norte magnético é o novo padrão.

“Sabemos que agora o polo está se movendo mais rápido do que ele já se moveu por décadas, mas com que frequência isso ocorre no extenso registro histórico?” pergunta Geoff Reeves, cientista espacial do Los Alamos National Lab.

Retirado de: www.nationalgeographicbrasil.com

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