1. INTRODUÇÃO

Você já deve ter ouvido falar que a combinação entre Drones e Aeroportos não é, na maioria dos casos, uma combinação segura. Isso se deve ao fato de que os Drones podem colocar em risco as operações das aeronaves.

Porém, o que vamos tratar neste artigo é sobre o emprego de drones na elaboração do Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromos – PBZPA, uma metodologia pioneira desenvolvida pela Senva Sensoriamento Remoto para os estudos de aeródromos.

1.1 Qual o significado de Aeródromo?

Segundo o DECEA “Aeródromo é um termo bem mais abrangente do que aeroporto. É simplesmente toda e qualquer área (pista) destinada a pouso, decolagem e movimentação de aeronaves. Isso em meio terrestre ou mesmo aquático. Basta haver uma pista de pouso e decolagem com os requisitos técnicos mínimos exigidos pelas autoridades reguladoras e temos um aeródromo.

Já o aeroporto, por outro lado, é um aeródromo bem mais estruturado. Dotado de instalações, infraestrutura e pessoal para o embarque e desembarque em aeronaves de pessoas e cargas. Um terminal de passageiros, por exemplo.

Assim, todo aeroporto é necessariamente um aeródromo também. Mas nem todo aeródromo é um aeroporto.”

1.2 O que é o PBZPA? E qual sua finalidade?

O PBZPA é o estudo topográfico da região do Aeródromo que visa identificar possíveis obstáculos artificiais e naturais que possam contribuir para gerar problemas futuros para realização de um pouso seguro das aeronaves.

Assim, manobras de voo abrangem uma região bem mais ampla do que se imagina. Abarcam, além de todo o complexo aeroportuário, grande porção do espaço aéreo vizinho, por onde circulam, residem e moram milhares de pessoas.

O Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromo (PBZPA) estabelece exatamente esta área no espaço aéreo exclusiva para o voo das aeronaves, restringindo, por exemplo, a construção de edifícios em alturas que possam por em risco a segurança dos voos. Por meio da observação destes planos, é possível visualizar em um mapa tridimensional sobre o aeródromo que área é essa e quais são os limites observados para o distanciamento e as alturas das edificações na redondeza.

Fonte: DECEA.

São superfícies imaginárias que podem ser vistas na figura a seguir:

Figura 1: Superfícies de Proteção

2. INFORMAÇÕES SOBRE O EMPREENDIMENTO

Trata-se da construção de um aeródromo com capacidade para receber voos comerciais e particulares.

A pista está homologada para receber aeronaves do porte de Boing 737, com capacidade para transportar até 85 passageiros e tripulantes. O Aeródromo servirá de suporte para um volume de 40 mil pousos e decolagem. O projeto prevê ainda a construção de 24 hangares da iniciativa privada. Também há previsão da chegada de escolas de pilotagem. 

3. OBJETIVO

O objetivo central da Senva era fornecer a base cartográfica necessária para a elaboração do Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromo.

4. METODOLOGIA DE TRABALHO

Os trabalhos foram divididos em três frentes principais, quais sejam:

1ª – Definição da Base Cartográfica Primária

2ª – Definição da Base Cartográfica Secundária

3ª – Cadastro Tridimensional da Superfície

Cada uma das etapas será descrita nos itens a seguir.

4.1 Base Cartográfica Primária

O objetivo é a criação de uma base cartográfica na qual os projetos do aeródromo pudessem ser sobrepostos. Para a criação desta base, foram utilizados dados de terreno do SRTM bem como imagens de satélite.

A sobreposição dos projetos nesta base de dados, permitiu uma análise preliminar tendo como resultado um diagnóstico macro tridimensional que apontou quais regiões poderiam impactar as operações de voo do aeródromo.

Figura 2: Obstáculos ultrapassando as Superfícies de Aproximação e Transição
Figura 3: Obstáculos ultrapassando a Superfície Horizontal Interna

4.2 Base Cartográfica Secundária

Após visualizar e mensurar quais os principais obstáculos e áreas potencialmente críticas do ponto de vista operacional do aeródromo, definiu-se quais áreas necessitariam de um estudo com maior precisão e confiabilidade.

A partir disso, foram planejados e executados Levantamentos com Drone nas áreas definidas anteriormente.

Os principais resultados obtidos após a execução dos levantamentos aéreos foram:

– Orfototo

Figura 4: ortofoto

– Modelo Digital de Superfície

Figura 5: Modelo Digital de Superfície

– Modelo Digital de Terreno

Figura 6: Modelo Digital de Terreno

Tais dados possibilitaram uma caracterização detalhada das áreas, possibilitando identificar e caracterizar os obstáculos, como por exemplo, edificações, matas, torres e antenas etc.

Além dos levantamentos aéreos, foram realizados levantamentos com Estação Total das torres e antenas, objetivando obter informações mais confiáveis de cota de base e topo.

4.3 Cadastro Tridimensional da Superfície

O Cadastro Tridimensional da Superfície consistiu em compilar todos os dados dos levantamentos e criar a restituição 3D de todos os elementos que ultrapassavam as superfícies, como por exemplo, casas, linhas de alta tensão etc.

Figura 7: Cadastro Tridimensional da Superfície
Obstáculos que ultrapassam as Superfícies Horizontal Interna e Cônica
Figura 8: Cadastro Tridimensional da Superfície
Obstáculos que ultrapassam as Superfícies de Transição e Decolagem
Os elementos exibidos em magenta são as Linhas de Alta Tensão levantadas em campo

A análise em questão foi executada com base no Modelo Digital de Superfície obtido por meio do levantamento com drone.

5. RESULTADOS

As informações criadas serviram como base para a definição de áreas (obstáculos) que deveriam ser removidas e obstáculos que deveriam ser mantidos ou administrados, conforme exibido na figura a seguir:

Em azul, os obstáculos que deveria ser removidos e, em vermelho, aqueles que deveriam ser mantidos ou administrados.

Figura 9: Obstáculos a serem removidos e a serem mantidos

Além disso, as áreas que deveria ser removidas, foram segmentadas de acordo com o tipo de intervenção necessária. Por exemplo, a necessidade apenas de desmatamento ou a necessidade de corte de terreno.

Foram criadas uma lista de informações sobre os obstáculos, tais como: quantidade de supressão, quantidade de corte de terreno em m² e m³, quantidade em metros que ultrapassa a superfície dentre outras.

Figura 10: Detalhamento das áreas a serem removidas
Em verde: Supressão vegetal
Em laranja: Corte de terreno
Em roxo: Desapropriação
Figura 11: Detalhamento das áreas as serem removidas
Em verde: Supressão vegetal
Em laranja: Corte de terreno

5. CONCLUSÃO

Levando em consideração a qualidade, precisão e velocidade na geração dos dados, conclui-se que o emprego de drones como base para a elaboração do Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromos – PBZPA é econômica e tecnicamente viável.

Gostou deste artigo e quer saber mais?

Entre em contato:
Senva Sensoriamento Remoto
www.senva.com.br
(31) 3080-4730

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui